O nosso primeiro influencer – o Duke de Wellington

Algumas pessoas dizem que o vinho está “na era dos influencers”. Mas chegam com um atraso superior a 100 anos. Os influencers de vinho já existiam muito antes do Instagram e das redes sociais. E o primeiro, entre nós, foi o Duke de Wellington.

As terras a Norte de Lisboa exportam vinho há séculos. Em particular para a Grã-Bretanha. Enviámos vinho durante o reinado da Rainha Isabel e os vinhos locais são mencionados em peças de William Shakespeare. Mas o nosso grande desenvolvimento surgiu em 1815. O Duque de Wellington conhecia bem esta região da Guerra Peninsular (1807-1814). Regressou a Londres a adorar os vinhos que por aqui tinha experimentado. Em especial o Arinto – a nossa casta local branca. Na realidade regressou mais do que a adorar: comprou grandes quantidades de Arinto que levou com ele.

Tal como hoje, as castas nativas de Portugal eram menos conhecidas que a de outros países produtores de vinho. Ficou então conhecida como o “Hock Português”, porque se assemelhava aos Hocks da Alemanha (popularizados por outra influencer, a Rainha Vitória)

Depressa o Hock Português se tornou o favorito para brindar na cidade então mais em voga. E o favorito do seu comandante militar mais famoso e mais tarde Primeiro-Ministro. As entregas eram fáceis, dada a sua morada “Nº 1, Londres”. 

O Arinto vive hoje um revivalismo. O seu belíssimo aroma cítrico-limão vai bem com pratos leves e de peixe. A sua frescura – até nos Verões quentes de Lisboa – faz dele um vinho refrescante e um aperitivo brilhante. O nosso primeiro influencer tinha mesmo um gosto excelente. 

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